sábado, 26 de setembro de 2009

Restaurante Le Vin - Ipanema

Aproveito aqui a abrangência do blog para incluir mais um assunto: gastronomia.

Comer, para mim, é um imenso prazer. Eu adoro experimentar novos restaurantes, novos pratos, culinárias diferentes. Eu só não gosto de restaurante tipo buffet. Mas por que? Porque eu preciso da expectativa. Preciso de um tempo de espera entre o pedido e a chegada da comida. Parece loucura, mas é neste meio tempo que viajo por todos os ingredientes descritos no cardápio e, em secreto, fico brincando com a minha imaginação, tentando descobrir como será a apresentação, os sabores, consistências, texturas... São minutos preciosos, imprescindíveis para que a chegada do prato seja sempre surpreendente. Se a comida chega muito rápida e me priva deste momento maravilhoso de reflexão, eu fico chateada. O chef pode achar que o serviço está maravilhoso porque está rápido, mas se for perguntar a mim, eu direi: porque não demorou um pouco mais?

Bom, vocês já sabem que se um dia encontrarem aqui alguma dica de restaurante buffet, é porque o restaurante é bom mesmo! Mas isto não deve acontecer tão cedo. Enquanto isso, vou colocando aqui os meus restaurantes favoritos.

E o primeiro foi cenário do meu almoço de hoje: o Le Vin. Trata-se de um bistrô, ou seja, um pequeno restaurante francês, com pratos típicos e consagrados da culinária francesa. Traduzindo: moules et frites, escargots, steak tartare, boeuf bourguignon, cassoulet, confit de canard, e por aí vai.


Mas o que me levou lá hoje foram as ostras, deliciosas, fresquinhas, e por um preço em conta (comparado aos outros restaurantes da zona sul que também servem a iguaria).


Após uma dúzia de ostras para cada, foi a vez dos pratos principais. Eu não resisti, e fui no ravioli de confit de canard com molho de laranja que é o meu favorito. O maridão foi no polvo a provençal, que também estava uma delícia. Para acompanhar as ostras e os pratos, um espumante rosé e um bom papo. Enfim, um almoço de sábado perfeito.


O Le Vin fica em Ipanema, na Rua Barão da Torre, 490. Telefone: (21) 3502-1002.

Espero que tenham gostado da dica!

terça-feira, 22 de setembro de 2009

A menina que roubava livros - Markus Zusak


Dos últimos quatro livros que li, três se passavam durante uma guerra. Coincidência? Sim, eu não busquei isso. Não escolhi os títulos pensando neste assunto. Nem ao menos esperava este conteúdo. Mas aconteceu. E isto me faz questionar se hoje em dia é preciso ter certa dose de desgraça nos livros para se alcançar o sucesso. Ler sobre a desgraça alheia não é lá algo super confortável, mas convenhamos, nos prende de forma bem eficiente. Já tentou passar perto de um acidente de trânsito e não olhar? Pois é, o mesmo acontece com os livros. Quando o personagem está lá sofrendo, chorando, morrendo, ou passando aquele sufoco, parece que o livro ganha mais graça, e até aquele soninho que estava vindo meio sorrateiro desiste e aguarda outra parte do livro, menos "interessante", para voltar.

Com o "A Menina que roubava livros" não foi diferente. As partes mais interessantes do livro são as mais tristes. E como a história se passa durante a segunda guerra mundial, o livro está recheado de momentos para lá de sofridos. Porém, assim que terminei de ler, algo dentro de mim não se sentiu totalmente satisfeito. E eu estou tentando entender isto ainda, mas vamos por partes: primeiro, preciso lhes explicar a história.

O personagem central do livro é uma menina, Liesel, que desde muito cedo teve que se separar de sua família para viver na casa de outra família, os Hubbermann. O motivo? Seu pai era comunista e por isto perseguido. Sua mãe, doente, e não tinha como cuidar dos filhos. O jeito foi entregá-los para a adoção. Ou melhor, entregá-la, pois seu irmão não chegou vivo. Porém, o que representou a morte ao irmão, acabou salvando a vida dela. Na casa dos Hubbermann, Liesel descobre no novo pai um amor incondicional, e na nova mãe um amor um tanto quanto estranho, porém verdadeiro. E assim a vida da menina segue, através de uma narrativa rica em detalhes e situações percebidas pela narradora.

E aí chegamos a um ponto crucial: a narradora. Pasmem, quem conta a história é a morte. Sim, ela mesma, com direito a túnica preta e a pensamentos irônicos que ela nos expõe como se fosse a coisa mais normal do mundo: a morte nos falar. Eu não tenho certeza, mas desconfio que grande parte da minha insatisfação se deva à escolha da narradora. Não que esta escolha do escritor não seja criativa, ou inteligente. Não posso negar, ela é ao menos inovadora. Entretanto, é tão surreal que a ficção virou quase um sonho maluco, e não houve capítulo que me convencesse de que a morte estava realmente falando, e que tudo aquilo que ela falava fazia algum sentido. É claro que a história da menina fez todo o sentido. O problema não era o que acontecia com "os vivos", mas sim com a morte, e com os pensamentos e opiniões dela.

Bom, colocando a morte de lado, posso lhes dizer que o livro agradou sim. Liesel, apesar de nos parecer frágil, ao longo da história vai nos orgulhando com sua força e com sua vontade, mesmo que subconsciente, de sobreviver. Aos poucos, a menina vai encontrando nos livros (que ganha e que rouba) um sentido para a sua vida e dos que estão ao seu redor. E ao mesmo tempo em que uma guerra corre do lado de fora, a guerra de Liesel vai se arrastando dentro dela, através de seus sonhos, seus pensamentos, suas atitudes e por último, através de seu próprio livro, no qual ela escreve sua vida.

Enfim, "A menina que roubava livros" é uma história sem um final totalmente surpreendente, mas que surpreende pelas formas mais inesperadas de amor que o livro nos trás. Liesel nos mostra que para amar e ser amado basta estar vivo e procurar este amor nos lugares mais improváveis, como por exemplo num abandono, num acordeão, numa fala ríspida, num livro pintado, num cabelo cor de limão, e claro, até mesmo na morte.

sábado, 19 de setembro de 2009

Andando e voando pelo twitter!

Mas era só o que faltava! Twitter?

Bom, vamos colocar o preconceito de lado e entender o seguinte: o twitter é uma excelente ferramenta de comunicação. Há alguma dúvida quanto a isso? Não. Então, aqui faço aquela pergunta essencial para tudo na vida, inclusive para o twitter: por que não? Ou melhor: o que me impede?

Claro que isto não surgiu dentro de mim a partir do nada, como se de repente eu houvesse desabrochado para os twitters, tweets, e cia. Mas então, como foi que isto aconteceu?

Há algumas semanas atrás, minha amiga Lívia, que sempre me presenteia com feedbacks positivos do blog (obrigada pela força amiga!), me disse:

- Amiga, você TEM QUE colocar o blog no twitter.

E eu:

- ahhhhhhhhhhhhhh.... mas por que? .....
- Porque o twitter vai te ajudar a divulgar o blog!
- Ah é?
- Porque as pessoas vão poder seguir o seu blog!
- Ah é?
- Porque elas também poderão divulgar o seu blog para outras pessoas!
- Ah é? Ahhhh tá....

Lívia, não convencida de que eu estava convencida, me enviou um e-mail explicando tim tim por tim tim tudo o que eu deveria saber sobre esta ferramenta. A argumentação foi boa, e o e-mail conseguiu quebrar um "leve" preconceito que eu tinha a respeito deste assunto. Bom, o resultado disto tudo? tchan tchan tchan tchan...


A página do blog no twitter ainda não está lá "uma brastemp". Falta uma dedicação a mais, e uma resistência a menos. Mas já existe, e você já pode "follow" ela. O que você ganha com isso? Bom, quando eu atualizar o blog aqui, instantaneamente você fica sabendo lá e aí pode vir correndo até aqui para ver as novidades (ok, pode vir andando também, mas não deixe de vir!).

Amiga Lívia, obrigada por estar sempre acrescentando à minha vida :)

PS: Confissões de uma pós-adolescente: não resisti, e estou "seguindo" o Adam Lambert... Bom, pelo menos ele não avisa toda vez que vai ao banheiro. Ufa!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Conexão Paris - o blog e seus mini-guias


Há uns 2 anos atrás, quando eu estava planejando minha primeira viagem à Paris, tudo o que eu queria fazer era ficar horas e horas estudando a cidade. Comprei uns 5 guias, algumas muitas revistas, e claro, fucei a internet como um cão farejador daqueles com o focinho bem grandão. A minha fome por informações sobre Paris era insaciável, quanto mais eu tinha, mais eu queria, e mais eu achava que precisava procurar. E isto não iria acabar nunca, se não fosse eu ter encontrado uma joia rara. Algo que me saciou, e que me alimenta até hoje: o Conexão Paris.

Para quem não conhece, o Conexão Paris é um blog escrito pela Maria Lina, uma historiadora mineira que desde 1983 mora em Paris. Ao longo de todos estes anos ela foi colecionando uma série de informações sobre a cidade, as quais ela repassava para os amigos que chegavam de viagem. Um dia, para a sorte dos seus leitores, Lina resolveu organizar todas estas informações em um blog. Como resultado, o Conexão Paris foi criado e em pouco tempo ganhou milhares de fãs, os quais, por sua vez, ganharam algo que não se encontra em nenhum guia de viagem à venda por aí: a vivência.

Quando descobri o Conexão Paris, fiquei tão eufórica que li o blog todo. Isso mesmo, do início ao fim. Todas as informações que eu queria estavam lá: restaurantes, passeios, atrações, lojas, museus, hospedagem, transportes, e absolutamente tudo o que você possa imaginar. E o melhor de tudo: não precisava comprar, tudo ali estava de graça, disponível para todos os que quisessem desfrutar.

Não preciso dizer que o Conexão Paris foi tudo na minha vida durante os meses de planejamento. Mas o interessante mesmo aconteceu após a viagem. Mesmo não tendo mais que planejar, a primeira coisa que eu fazia todos os dias era entrar no Conexão Paris, ler os novos posts e voar por Paris através deles. Era como um café da manhã, algo que não podia faltar. Se faltasse, logo logo o estômago reclamaria, a dor de cabeça viria, e todo este desconforto não iria passar até o café ser tomado, ou melhor, o blog ser lido.

Até que um dia, já com o blog totalmente inserido na minha rotina diária, resolvi retribuir de alguma forma tudo aquilo que era me dado de presente. Mas como? A minha experiência com Paris era mínima, então não era com conteúdo que eu poderia ajudar. Pensei: de repente com o layout do website? Daí lembrei que não sou nem designer, nem programadora, muito menos tenho jeito para estas coisas. Descartei esta possibilidade quase que imediatamente. Até que, de repente, me veio à tona uma forma concreta de ajudar: com o português!

Bom, o que ocorria: como Lina estava muito tempo fora do Brasil, ela acabava cometendo alguns errinhos bobos de português em seus posts. Era uma letrinha errada ali, uma palavra inventada acolá... Nada que prejudicasse o blog. Mas claro, se alguém fizesse as correções e enviasse o texto já corrigido, ela teria os seus posts à prova dos mais críticos. O que fiz? Enviei um e-mail para ela. Me apresentei, disse que estaria disposta a ajudá-la, e que seria um imenso prazer participar mais ativamente do Conexão. E ela? Disse que adoraria. Pronto, desde então, como ela mesma me chama, sou a editing process do Conexão Paris (muito chique!). Todos os dias (ou quase todos) eu envio as correções para Lina, e após tantos e-mails, acabamos virando amigas. Eu já desabafei para ela, ela já me aconselhou, já reclamamos juntas... enfim, nada como a internet para nos conectar ao mundo e nos presentear com amizades inesperadas e especiais.

E foi assim, através das leituras diárias, correções e e-mails que fui acompanhando a vida do blog no seu dia a dia. Até que certo dia algo de especial aconteceu. Lina me disse que iria lançar uma série de mini-guias de bolso, cada um com um tema diferente, onde ela publicaria informações que estão no blog e algumas outras inéditas. Na mesma hora pensei: será um sucesso! E claro, o resultado não foi diferente. Quando Lina lançou seu primeiro mini-guia, mês passado, foi um alvoroço. A demanda foi enorme, os elogios se multiplicaram, e tenho certeza que minha amiga deve ter ficado para lá de contente. Por tabela, também fiquei em uma felicidade só.

O primeiro guia de Lina apresenta 5 roteiros de passeios por Paris, cada um mostrando uma faceta diferente da cidade luz. O guia é fininho, levinho, perfeito para batermos perna o dia inteiro com ele. Por dentro, é imensamente recheado de informações efetivamente úteis, dicas incríveis e o melhor de tudo, os 27 anos de Lina em Paris, algo que nenhum outro guia pode ao menos sonhar em oferecer aos seus leitores.

O preço do guia é R$17,60, incluindo o frete, e você pode comprá-lo no site do Conexão Paris (http://www.conexaoparis.com.br/). Se você planeja passar uns dias nesta cidade que eu amo, não deixe de adquirir o guia da Lina. Será o melhor investimento da sua viagem. Eu garanto.

sábado, 29 de agosto de 2009

Festival da Pinga – Paraty - Rio de Janeiro


No final de semana passado rolou em Paraty o Festival da Pinga. E adivinha quem estava lá, marcando presença? Pois é, eu mesma. Mas não só eu, também foram mamãe, marido, irmãos e a namorada de um deles. Motivo? Não, não foi pela cachaça. Mas até que a gente gostou da bagunça.

Ok, isso está meio confuso, e eu explico. Meu irmão está indo estudar na Alemanha, vai passar no mínimo 2 anos lá, e a família já está em apuros com a saudade. Para amenizar um pouquinho, resolvemos viajar todos juntos em um final de semana. E logo quando surgiu a ideia, pensamos em Paraty. Pois bem, o Festival da Pinga ia acontecer bem no final de semana escolhido. Destino? Sina? Ou apenas uma boa coincidência?

Obviamente a cidade estava lotada, e não havia lugares disponíveis nas pousadas mais conhecidas. O jeito foi apelar pelo maravilhoso e insuperável Google, que rapidinho apareceu com uma pousada que não constava no guia quatro rodas. Minha mãe ligou para lá e, por sorte, ainda havia duas suites vagas. “Opaaaa! São minhas!!!” Foi o que a minha mãe falou para a telefonista da pousada, na maior animação. E eu fico a imaginar como deve ter sido a reação da telefonista, no outro lado da linha, ao escutar minha mãe dar um grito de euforia por conseguir hospedagem para o Festival da Pinga. Deve ter pensado: essa família gosta!

A pousada foi uma boa surpresa. Super charmosinha, bem decorada, com quartos grandes e confortáveis. O café da manhã no dia seguinte estava bem farto, com vários tipos de bolos e frutas. A pousada ainda conta com uma piscina bem legal e um deck para um rio que passa por trás do local. O único porém é a localização, quase na saída de Paraty, e longe do centro histórico para quem não vai de carro. Apesar disso, eu gostei muito do lugar e por isso indico.


Pousada Águas de Paraty
Rua 1 - Lotm Parque Ipê
Paraty - Rio de Janeiro
Tel: (24) 3371-2085/2618
As fotos foram retiradas do website da pousada

Quem não conhece Paraty não sabe o que está perdendo. O lugar é uma graça e o centro histórico, uma coisa fofa. O comércio é muito turístico, mas você encontra nele um artesanato bem legal. Por exemplo, eu comprei uns patos aqui para casa lindos, grandes, feitos de madeira maciça, super artesanais. Paguei uma pechincha. Aqui no Rio, se eu encontrasse estes patos, eles custariam no mínimo três vezes mais. Tudo bem que eu não tenho lugar em casa para colocar os patos, mas isso é somente um detalhe. Eu me apaixonei por eles, fazer o que?

Eles não são lindos? Coisinhas fofas da mamãe!

Agora, uma pausa para 3 confissões:

1) Eu adoro cachaça;
2) Eu fui tirar um cochilo às oito da noite e só acordei no dia seguinte;
3) Eu fui para o Festival da Pinga e não bebi um gole de pinga.

Pois é, aconteceu. Fiquei tão animada com as lojinhas de artesanato que esqueci a marvada. Andei, andei, andei, e claro, capotei. Estava tão cansada que nada me tirou da cama. No dia seguinte? Mais lojinhas, e a cachaça coitada foi para o ralo. Assim como também foram todas as fotos que eu gostaria de ter tirado do Festival. Vou ficar devendo. Mas entre uma comprinha e outra, consegui tirar estas fotos do centro histórico.

Essa loja era no mínimo interessante. Alguma vez já ficou bêbado só de olhar? Para tudo tem uma primeira vez na vida...

Para compensar esta minha falta de pinga, ou melhor, de fotos, trago aqui uma ótima dica gastronômica. A 20 minutos de Paraty, o restaurante Le Gite d'Indaiatiba não decepciona nem os mais exigentes. Ele é comandado por um francês e uma brasileira, que já moraram na África. Ou seja, culinária francesa abrasileirada com toques africanos. Conseguem imaginar? Enfim, só sei lhes dizer que a comida é simplesmente maravilhosa.

Para chegar ao Le Gite é meio complicado. Pegue a Rodovia Rio Santos sentido Rio de Janeiro, e vire a esquerda no km 558, logo após uma placa indicando “Graúna”. Daí siga toda vida até chegar a um vilarejo com uma igreja da Assembléia de Deus. Então vire a direita e siga pela estrada de terra a esquerda da estrada asfaltada. Continue por mais uns 2 quilômetros, e você encontrará o restaurante. O horário de atendimento é das 13:30h às 20:30h. Programe-se.

A vista do restaurante

O salão interno

Uma das entradas: ceviche de peixe branco com frutas. Sensacional.

Os pratos principais, das esquerda para direita: muqueca de siri catado, beef bourguignon e lulas ao curry caseiro. A mistureba ficou uma delícia. De lamber os beiços.

Le Gite d´Indaiatiba
Rodovia Rio-Santos (BR 101) – km 558
Graúna – Parati
Cel: 024-9999-9923
Tel: 024-3371-7174
contato@legitedindaiatiba.com.br
http://www.legitedindaiatiba.com.br/

E como tudo que é bom acaba rápido, nosso final de semana em família terminou num piscar de olhos. A volta foi longa e cansativa, mas valeu muito a pena. Irmão querido, vou sentir saudades, mas sei que o tempo passa rápido, e logo logo estaremos todos juntos novamente perambulando por aqui. Enquanto isso, não se esqueça de reservar o sofá cama e de conectar o skype. Ah, e também não se esqueça do mais importante: nós te amamos muito!

domingo, 16 de agosto de 2009

O Caçador de Pipas – Khaled Hosseini


Outro dia eu estava discutindo com a minha amiga Julie sobre livros. A questão era: eu não lia mais livros de ficção. E por um motivo simples. Eu os considerava uma perda total de tempo. Na minha cabeça, funcionava a seguinte lógica: se eu não assistia novela porque achava que era tempo perdido, imagine então gastar dias lendo um livro sobre uma história que nunca aconteceu, em um lugar que não existe, e com pessoas que nunca passaram de meros personagens? Por favor, entenda, não é que eu não gostasse de livros de ficção. Muito pelo contrário. Por exemplo, sou uma admiradora convicta do bruxinho criado por J. K. Rowling. E tem ficção mais ficção do que Harry Potter?

Pois então, voltando a conversa com Julie, ela me dizia:

- Mas amiga, os livros são escritos a partir de experiências do próprio autor. Eles nos trazem lições, nos emocionam, e nos fazem pensar em coisas da vida real.

E eu retrucava:

- Mas este é o problema: você nunca sabe o que é real, e o que é ficção. O autor pode inventar tudo, ou inventar nada. E com certeza, ele não irá te dizer que lado ele pesou mais.

Bom, a gente não chegou a um denominador comum. E nem precisava. Gosto por livros é igual a futebol, não se discute. Mas enfim, o fato é que fiquei pensando no assunto. Fiquei mesmo. Gastei um tempo tentando convencer a minha cabeça que talvez, quem sabe, eu deveria dar mais uma chance aos livros de ficção. Quem sabe, eu conseguisse distinguir a realidade da ficção, não em tudo, mas no que interessasse. E, quem sabe, eu tirasse uma boa lição de vida com cada um destes livros.

Então, quando toda aquela minha convicção sobre ficção deu uma brecha, eu entrei correndo no submarino.com e comprei cinco livros de ficção. Além disso, liguei para a minha mãe e pedi para ela emprestado o “Caçador de Pipas”. Pronto, estava formado o meu arsenal, é agora ou nunca!

E foi assim, um tanto receosa e muito descrente, que comecei a ler este último, o Caçador de Pipas, tema do post. E aqui, peço desculpas aos leitores pela introdução longa. Eu sei, me empolguei um pouco, mas foi preciso, e vocês irão entender.

Com o livro em mãos, comecei o ritual que sempre faço com tudo. Ou seja, o analisei por inteiro. A capa, contracapa, a resenha, o autor, as cores, o tamanho da letra, a quantidade de capítulos, e por ai vai. Passado meu momento psicótico, comecei a leitura.

E o resumo da ópera é o seguinte: minha língua está doendo até agora de tão forte que foi a mordida. Em outras palavras, minha amiga Julie estava tão certa como areia no deserto, e eu era aquela poça d’água que os mortos de sede vêem antes de desfalecerem. Parece verdade, mas é pura ilusão.

Desde a primeira página, o Caçador de Pipas me puxou como se eu fosse um peixe agarrado a um anzol. Quando percebi, eu já estava lá, dentro do livro, sentindo a dor dos personagens. Chorando com eles, rindo com eles, morrendo com eles. E aquela sensação que imaginei que fosse sentir, de estar lendo algo sem propósito, nunca passou perto. O imaginário se tornou o real, e a história me transformou muito mais que as notícias, muito reais, que eu leio no globo.com todos os dias.

O autor do livro é um afegão. Para os mais desavisados, quer dizer que ele nasceu no Afeganistão. Não apenas nasceu, ele viveu grande parte de sua infância lá. E é lá também que passa grande parte da história do livro. Bom, quando entendi isso, dei a minha primeira mordiscada na língua. Mas mal sabia que, quanto mais eu lesse, mais força as mordidas ganhariam.

Resumindo a história, Amir e Hassan são dois meninos inteligentes e espertos. Porém, como água e vinho, não poderiam ser mais diferentes um do outro. Amir é grande, mas fraco. Hassan é franzino, mas forte. Amir é rico, mas pobre de coração. Hassan é pobre, mas possuidor de riqueza que não se compra. Os dois viveram a infância juntos como amigos, mas apenas Hassan entendia o que realmente a palavra “amizade” significava. E assim, sendo contada pelo próprio Amir, a história se desenrola em uma sucessão de erros de Amir, uma explosão de sentimentos por Hassan, e uma avalanche de lições para se levar por toda a vida.

O final é lindo, poético, doloroso e ao mesmo tempo de uma felicidade estonteante. Mas é claro, eu não posso contar o desfecho desta história aqui. Apesar de achar que sou uma das últimas a ler o livro, ou a assistir o filme, acredito que ainda há atrasadildos como eu por aí. Então, se você é um deles, se renda o quanto antes e entre neste mundo de amor, culpa, medo, honra, inveja, coragem e redenção que Amir e Hassan nos apresentam.

Por último, não resisto, e lhes dou aqui uma palhinha do livro. Neste trecho, Hassan está ganhando de presente de aniversário do pai de Amir, o Baba, uma cirurgia para a correção de seu lábio leporino.

“Hassan talvez tivesse acreditado naquela história, mas eu não. Sabia que quando os médicos dizem que não vai doer você pode ter certeza de que está em maus lençóis. Apavorado, lembrei da minha circuncisão no ano anterior. O médico me disse a mesma coisa, garantindo que não ia doer nada. Mas, quando passou o efeito do tal remédio que entorpece, bem mais tarde naquela noite, parecia que alguém tinha enfiado carvão em brasa nos meus rins. Por que Baba tinha esperado eu fazer dez anos para mandar me circuncidarem é uma coisa que nunca consegui entender, e que nunca vou perdoar.
Adoraria ter também algum tipo de cicatriz que atraísse a simpatia de Baba. Não era justo. Hassan não tinha feito nada para conquistar a afeição de meu pai, simplesmente tinha nascido com aquele estúpido lábio leporino...
A cirurgia foi um sucesso. Ficamos todos um pouco chocados a primeira vez que removeram os curativos; no entanto, continuamos sorrindo, obedecendo as instruções do Dr. Kumar. Mas não foi fácil, pois o lábio superior de Hassan era uma coisa grotesca, todo inchado e em carne viva. Achei que ele ia gritar horrorizado quando a enfermeira lhe deu um espelho. Ali segurou a sua mão e ele ficou um bom tempo contemplando o próprio rosto. Depois, balbuciou algo que não entendi. Cheguei o ouvido mais perto da sua boca. Ele sussurrou de novo.
- Tashakor – Obrigado.
Então os seus lábios se contorceram e, desta vez, eu sabia exatamente o que ele estava fazendo. Estava sorrindo. Assim como tinha feito quando saiu do útero de sua mãe.
O inchaço foi diminuindo e, com o tempo, a ferida cicatrizou. Em alguns meses, não passava de uma linha rosada atravessando o lábio superior. No inverno seguinte, era apenas uma leve cicatriz. O que é bastante irônico. Porque foi justamente nesse inverno que Hassan parou de sorrir.”

domingo, 9 de agosto de 2009

Você já pensou em escrever um livro? - Sonia Belotto


Se você entra aqui sempre, sabe que estou passando por uma fase leitora. E como ainda não passei para outra fase, aqui vai mais uma dica de livro. Neste de hoje, o título não poderia dizer mais. Então, se você tem calafrios só de pensar em escrever, pode parar de ler o post por aqui mesmo, não perca seu tempo.

Porém, para quem tem aquela vontade guardada lá no fundo do baú de um dia escrever um livro, a tia Sonia vai ajudá-lo a transformar esta vontade em realidade. De forma muito gostosa, divertida e despretensiosa, ela vai te revelando o mundo da escrita através de dicas, exemplos, experiências próprias e técnicas nem um pouco complicadas.

Sonia ensina que para escrever bem, você deve se preocupar com 3 condições básicas: conhecer o leitor, conhecer o assunto e conhecer as técnicas de escrita. O resto é planejamento e suor. Sim, suor, pois como qualquer outra atividade, para se escrever bem tem de se praticar, e muito.

O livro é baratinho, a leitura é agradável e a aprendizagem é grande. Então, se você está na dúvida se, na vida, quer escrever um livro ou plantar uma árvore, compre o livro, leia e decida. Mas já vou lhe alertando, depois desta leitura, será difícil achar a pobre coitada da árvore mais interessante.